sábado, 3 de outubro de 2009

Chuva



Quando pequeno ainda não sabia direito o que sentia ou pelo quê exatamente sentia. Ia à praia e dali observava o fim infinito do mar que se juntava, lá no horizonte perfeito em sua linearidade, ao céu de uma redondeza assustadora. E sentia que aquela grandeza toda fazia parte dele mesmo, era uma coisa que o pertencia embora não precisasse estar com ele ou dentro dele. E chorava perto da água, como se contribuísse com suas lágrimas para aquilo que era tão...
Hoje estava longe do mar, mudara-se com a família para uma cidade distante e já havia se passado alguns anos. Numa tarde comum, ao voltar da escola, passava pelos mesmos prédios de sempre, todos com sua colorida falta de cor habitual. As pessoas começavam a correr. Era chuva.
Olhando para cima, parou e sentiu aquela brisa que antecede uma boa tempestade. Esperou. Então, quando a chuva começou a lhe banhar, já não conseguia saber o que era seu e o que era do céu. Na verdade, se apropriara das lágrimas da chuva, e essa, de suas gotas. E sentiu saudades...


Na chuva
No chuveiro
É onde elas se multiplicam

É sempre melhor se entregar
Em meio a essas incontáveis gotas

Todas, ao meu redor
Se tornam nossas
Nossa dor e alegria

A rapidez, a fluidez, a quantidade...
A força, a maciez, a dor da saudade...
Toda a intensidade pode se expressar
São minhas, naquele momento
Todas as lágrimas do céu
Todas as que fogem pelos olhinhos do chuveiro
Em mim, ganham sentido!

Expressam os litros que derramo
Dentro de mim.
Expressam a correnteza que passa
As coisas que vão e
As coisas que por algum tempo
Ainda ficam.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Que doce!


E todo domingo parecia começar do mesmo jeito: um sol meio intrometido na janela e uma vontade de ficar um pouco mais. Mas não nesse domingo. Levantou-se com uma vontade de comer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. O apetite veio misturado com o bom humor e uma euforia que não se sabia verdadeira ou sei lá o que.


Na casa só estavam ela e seu pequeno peixinho dourado, na sua laboriosa rotina. Passear entre o pequeno arbusto de plástico e o castelinho de pedra que mobiliavam seu cubículo de vidro. Ela fazia sempre o mesmo. Hoje, seria diferente. Era domingo, por Deus, o que é que se pode fazer num dia de domingo nesta cidade? Nada! Ou melhor, quase... Abriu as portas do guarda-roupas e escolheu a sua roupa mais clara, alguma coisa leve, que fosse alegre também, pra combinar com o seu estado. Vestiu-se enquanto cantarolava uma musica que ouvira num filme que tinha final feliz. Ouviu a musica e não esqueceu mais... e ali estava ela, passeando entre seus lábios quase constantemente sorridentes.


Disse tchau para o peixinho, para as coisas da casa que parecia mais gostosa do que nunca e saiu, fazendo com que as escadas cantassem num ritmo que havia determinado ser o ritmo do seu dia, um samba meio bossa-nova com base num som de brisa do mar. Fechou a portão e, do nada, aquele sol que a tinha despertado deu adeus. Tinha sido apenas a brecha de uma nuvem. Uns pingos gelados começaram a molhar sua camisa branca. Não achou ruim, pensou – Bom, faz algum tempo que não tomo banho de chuva mesmo. A medida que andava os pingos de chuva se tornavam mais freqüentes. Fechava os olhos de vez em quando e sentia o cheiro de terra molhada. Era fraco, o asfalto já tinha tirado quase toda terra de perto, mas ainda dava pra sentir alguma coisa. Se não era o cheiro que ela sentia, era pelo menos a lembrança que ela tinha do que era o cheio de terra molha, e era bom.


Um carro passou por ela e nessa altura algumas possas já tinha se formado. Você já imagina o que aconteceu não? Agora já não dava para ela ir a muitos lugares. Resolveu entrar na próxima rua, era a rua que dava caminho à casa de sua mãe. Estava vazia. Claro, domingo às 9 da manhã, manhã de chuva, não é de se esperar que as pessoas estejam na rua mesmo. Mas as casas estavam todas tão limpas. Era incrível que mesmo a pouca luz que existia nesse dia fazia com que as casas gotejantes fossem tão, tão...simplesmente reflexo do que tinha dentro dela.


Não demorou muito para chegar naquele portãozinho verde, meio enferrujado. Lá dentro um silêncio pouco habitual. Sua mãe era a melhor e mais procurada doceira daquelas regiões. Não tinha tempo ruim para aquela mulher. Sempre trabalhou duro e nunca deixou de fazer sempre a mesma pergunta para qualquer emburrado que chegasse perto dela – Vai um pedacinho de vida para melhorar esse doce? Era assim que sua mãe via seus doces. Pequenos pedaços de vida que serviam para melhorar as coisas. Isso porque ela sabia que nem todo mundo gostava de todo tipo de doce, e mesmo assim, até saber que gosta ou não, a pessoa prova do doce. Prova da vida. Se gosta, procura repetir e as vezes se lambuza, até chega a enjoar de tanto comer... se não gosta, não come mais, a não ser que seja enganado e abocanhe a guloseima.


A mãe fazia questão que a filha tivesse junto dela a chave de sua casa. Assim, Duda entrou correndo na casa da mãe. Correu por correr porque não estava com frio. Mesmo sendo cedo e não tendo o sol para aquecer sua caminhada molhada, estava se sentindo fresca, renovada e aquilo excluía qualquer idéia de frio. A casa estava completamente silenciosa. Só se ouvia o som da água no telhado de plástico transparente que a mãe resolvera colocar ano passado nos fundos da casa, para ficar mais claro. Em cima da mesa da cozinha tinha uma pequeno prato coberto com um pano xadrez. Em cima dele um bilhete:

Estes são especialmente para você minha filha.
São de uma receita nova que inventei.
Não deixei que ninguém provasse antes de você.
Lembre-se: são um pedacinho de vida... espero que eles possam melhorar o doce que é você.

Os olhos brilharam. Sempre dizia – Sou sua maior fã sabia? Se você deixar, vou ter dar prejú para o resto da vida! Levantou o paninho, olhou para os docinhos branco-amarelados em forma de bolinhas e enfiou, de uma só vez, uns três na boca. Tinham um gosto familiar, mas não conseguia se lembrar do que, parecia que já tinha comido algum outro doce com aquele gosto um dia, mas não, não era como esse... esse era meio crocante no começo, tinha uma capinha meio dura mas no fim ia ficando macio, e o seu meio era cremoso, suave. Era curiosos, interessantes, uma delícia!


Correu para o quarto de sua mãe com uns quatro docinhos na mão e mais uns dois na boca. Queria lhe dar um beijo e falar que ela era a melhor doceira do mundo e que queria que aquele doce tivesse o seu nome, já que tinha sido a primeira a experimentar aquela maravilha. Quando chegou perto da porta, andou devagar para não fazer muito barulho. Abriu a porta lentamente e enfiou a cabeça no quarto, como fazia quando era criança. Os olhos arteiros procurando onde a mãe estaria na cama para assim se deitar do lado vazio e lhe beijar a testa. Feito isto, lá estava ela, se enfiando pelo lençol. - Ah mamãe, os doces são deliciosos! Como a senhora consegue hein?


Duda passou a mão pelos cabelos de sua mãe. Depois, escorregou seus dedos pelo seu rosto que estava gelado. Estava gelado. Seus olhos pararam por um segundo no escuro. Sua mão também. Dez segundos depois sua mão já tinha passado pelas narinas e boca confirmando tudo.


Os docinhos, ou melhor, pedacinhos de vida, eram curiosos... jamais seriam provados novamente. Ou pelo fato de não se ter encontrado a receita ou por não se querer mais comê-los.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uhu!


Alguém gritou na televisão

Ou numa musica qualquer

Que estar apaixonado

É ser escravo, estar sob

Domínio de um tirano

É saber que está preso,

Ver e sentir as correntes

E se deixar, cada dia mais

Prender.

É uma situação bem divertida de ser ver

O preso que se prende ainda mais

Se tornar voluntário da escravidão...



Assim que o grito foi solto lá

Eu soltei outro aqui:

É sim! Uhu!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A desculpa é essa:

De vez em quando me pego pensando
Como devo ser chato, enjoado
Repetitivo...
Então como um bom garoto
Que pra tudo tem desculpas
Me valho de tantos outros loucos
Pra justificar minhas palavras rotas

Como disse Elisa
O ´´eutemo´´ tem nova estréia todos os dias
E que a rotina lhe é nada mais nada menos
Que genuíno mote.

Quintana mostra ainda
Que o amor é mais breve que esta nossa existência
E que se é para amar, que se ame baixinho, todos os dias
Constantemente, sossegado, sem pressa...

Eu digo que amo, e amo muito
E digo repetidas vezes, porque não?
Digo pois compreendo o valor que essas palavras tem:
Valor quase invisível.

Porque não é tinta nem som
Não é imagem nem movimento
Que conseguem significar tudo o que esse sentimento é
Tudo o que quer ser transmitido
Tudo de mim que quer saltar e alçar vôo
Se espalhar no espaço, ganhar grandeza
Fazer feliz o alvo dessa seta!

Florbela perdeu a alma
Por sonhar seu amor...
Eu ando perdendo tantas coisas que já nem sei
Pensas que as quero de volta?
Não, nesse meu caso
Estou contente com o tal escambo
Pois se hoje perco as mãos, ganho os teus olhos
Se perco a direção, ganho tua brilhante voz...

A vontade é tanta de te ter
Englobar sua existência, misturar-me a você
Que os valores humanos mais primitivos
Os instintos mais primordiais
Ganham um valor tão secundário
Que certamente muitos os confundiriam com luxo e futilidade.

A desculpa é essa então:
Digo sim, variadas vezes...
Milhões de vezes serão milhões de grãos de areia
Quero te construir uma praia...
Aí, digo mais milhões de vezes, vezes gotas, e lhe faço um mar...
E continuo dizendo quantas vezes for preciso
E quantas vezes me cobrar o agoniado fervor
Te produzo o que me disse que lhe faz falta
O que te faz não querer voltar...
Aí, depois de tudo pronto
Lhe pergunto com um pouco de receio:
Se importa se eu disser mais uma vez ´´euteamo´´ ?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pequeno esclarecimento

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

(Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Moooood...

É assim, vou continuar mudando, sempre sempre... Com gritos e esperneios, sombras de dúvidas, todas azuis, porque um dia um certo alguém disse que certeza é pra quem não ama de verdade. Do que serve a argila dura, imutável? Não, a escultura é viva enquanto está nas mãos do artista, enquanto é trabalhada, esculpida, lapidada e enquanto passa pelos milhões de processos. Quando fica pronta a obra de arte, ela morre. (Não digo que a morte signifique ponto final, mas um outro estado de coisas.) Assim é como devemos ser, não? Esculpidos interminavelmente até morrermos, aí, do jeito que estivermos, terá sido nosso melhor estado, o ultimo. É isso? Sei que tudo pode mudar, até este meu pensamento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E aí ta, o primeiro dia do ano!


Ótimo. Primeiro dia do ano. Tem uma certa cara de domingo, um gostinho de sábado... mas sempre esse cheiro de quase, de coisa por vir, de bolo quase pronto pra ser servido. Não há como prever muita coisa no primeiro dia do ano, por isso a maioria das pessoas se enchem de planos com a singela esperança de que pelo menos um deles se realize.
Os planos às vezes se fazem sem que a gente tenha pensado neles. Talvez porque alguns são tão óbvios e necessários que não tem como não fazê-los, então eles se fazem por si só. Outros exigem um bom tempo, uma vontade maior, um tom de comprometimento para que eles se firmem como plano de começo de ano. Algumas pessoas escrevem num papel, pregam num grande quadro no quarto pra ver todo dia, outros deixam na cabeça (onde os coitados logo se perdem), outros falam para os amigos e pedem que esses se lembrem por ele...alguns só deixam que as vontades vinguem e se cumpram. Esse pode ser o meu tipo de planejador esse ano.
Tenho planos, todos parecem estar no nível daqueles óbvios e necessários sabe? Isso não é de formal alguma falta de imaginação ou uma falha de perspectiva com relação ao meu futuro! O fato é que desejo com tanta força tudo que quero que já todos os meus planos são necessidade. Tenho todos em tão alta estima que não penso na possibilidade de não fazê-los se realizarem. O segredo está na categoria em que você coloca seus planos (tá, pode chamar de sonhos também). Se eles estiverem na dos óbvios e necessários sempre se renovarão, confirmando que o que se quer é certo e não há nada que lhe fará desistir de realizá-los, eles se fazem por si mesmos!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sing Mallu

(Lembrei de alguém...N)

Nesses dias de chuva ensolarada, trabalhos agoniantes e felicidades originais, um pouco de Mallu Magalhães faz bem:

 Mallu Magalhães - J1

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Equilíbrio dissimulado


Espalhar-me rapidamente na minha imensidão
Como detergente jogado na água
Desaparecer por estar em tudo, em todos...
Eu quero me dissolver em água
Enfraquecer em mim todos estes sabores fortes
Sem perder nada
Ao contrário, ganhar espaço vibrando numa freqüência mais baixa
Cansei de me afundar
Quero só flutuar, espairecer na superfície.
Me esticar por sobre o mar
E assim provar também do céu sem fim
Ter os dois dentro de mim e
Saber que desconheço os seus limites
Ser o motivo dessa tensão horizontica
E ao mesmo tempo ser a harmonia,
O consenso, o permitir, a plasticidade mórfica entre os dois.
Quero ser um tudo
............ e por isso o sou
Não esqueço contudo
Que faço parte desse esquema-moeda
Onde tudo possui um contra-ponto
Um lado oposto
Ao ser tudo, imponho-me a ausência
Do que quer que seja.
Resseco-me então nos ares
E afogo-me em ternas águas...
É isso, encontro-me nesse meio
Nesse equilíbrio dissimulado.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O menino que sugava as coisas...


Simplesmente deixavam de existir. Quando era criança fez sumir vários brinquedos dos seus companheiros de orfanato. Hoje em dia sabia que não era nada legal fazer sumir as coisas dos outros, mesmo porque as pessoas sempre desconfiavam dele, afinal, era a ultima pessoa a estar com a coisa desaparecida. O fato era que, desde pequeno, todas as coisas a que Mauricio se afeiçoava, um dia, desapareciam. Mas desapareciam da vista das pessoas e não de Mauricio. Ele, de alguma forma, sugava as coisas para dentro de si. Depois que determinado objeto desaparecia passava a ser parte do garoto. Ele conhecia não só a forma, mas o cheiro, o gosto, o porque, a razão de ser, a essência daquele objeto. A partir daquele instante ele nunca mais veria aquilo, já fazia parte dele.

Desde criança observara essa maluquice que acontecia com ele. Logo percebeu que não era igual às outras crianças, que tinham sempre ali, palpáveis as suas bonecas, chupetas, carrinhos de madeira, ursinhos de pelúcia... Mauricio, quando ´´adquiria´´ seu objeto de afeto, não precisava mais da coisa concreta, já a tinha em completude. Aos 10 anos fez sumir a bicicleta de seu único e melhor amigo do orfanato, fazendo com que este brigasse e cortasse a relação com ele para sempre, pois estava certo de que era Mauricio o culpado pelo desaparecimento do seu presente. Isolava-se desde então na biblioteca da escola, procurava sempre os títulos mais interessantes, as figuras mais fantásticas, as teorias mais curvilíneas e, pouco a pouco, ganhava conhecimento, diversão, aventura e uma infinidade de amigos que habitavam, cada um em seu mundo, mas também dentro dele. O menino nunca contara a ninguém a sua ´´mania´´ de fazer desaparecer, mas tinha, no seu íntimo, algumas teorias.

Todas as crianças do orfanato contavam histórias tristes, ou por lembrarem dos acontecimentos ou por terem ouvido alguém lhes contar, sobre como tinham perdidos os pais, os tios, avós. Maurício não. A única coisa que sabia era que, um dia, seus pais sumiram, deixando-o ainda bebê num parque, até que alguém o achou e lhe deu um rumo. O que não entendia era que, se ele, ao gostar muito de uma coisa, a sugava para si e não mais sentia falta de tal, por que já a tinha em sua totalidade, e, se um dia, sugou para si os seus pais, por que é que toda noite, quando as luzes se apagavam, grossas lágrimas corriam-lhe o rosto e uma dor fina no peito lhe gritava vários nomes de homem e de mulher, na esperança que algum deles fossem os nomes de seus pais.

Na dúvida constante que vivia, aprendeu a se controlar e não gostar muito de ninguém, não podia correr o risco de um dia, fazer alguém desaparecer. Se ele tivesse sugado mesmo os seus pais e ainda sim a ausência material destes lhe faziam tanta falta, como poderia perder mais alguém? Mas como todos nós já sabemos, não há formas muito eficazes de mandar no coração e um dia Mauricio se apaixonou...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Surprise!


É essa pequena abertura que faz de forma irrevogável a conexão entre duas almas. Esse pequeno labirinto negro escondido no ponto mais óbvio dos olhos é o mecanismo Wireless necessário para desencadear todo tipo de descarga hormonal, elétrica, sentimental... é o imã que, direcionado, com intenção ou sem, para um outro imã (quer seja compatível quer não, se é que existe algum que não seja compatível com outro) fizga os dois corpos com um único anzol, lançado no centro da conexão invisível.
Uma vez dentro do labirinto alheio, cabe ao jogador decidir se encara a jornada em direção à obstáculos cada vez mais imprecisos ou se desiste e volta ao portão de entrada.
Por vezes , talvez a maioria, talvez nem tanto, o fator ´´escolha´´ é um mero placebo, concedendo de bom grado aos jovens a ilusão de poder. Um passo dentro, em direção ao centro, e só se volta depois de muitas noites em claro.
É essa pequena abertura. Esse abismo, esse infinito desvirtuador dos conceitos limpos e vistosos. Uma porta para o infinito demiurgo de uma caixinha de surpresas.

sábado, 30 de agosto de 2008

05:50 a. m.

Será que poderia chamar de paz o que sinto agora? Nesses instantes de madrugada, enquanto o zumbir ainda ecoa nos ouvidos, me sinto lúcido, racional, ágil e abil para afazer o que quer que seja. Não que isso seja de fato verdade, que se alguém me propusesse uma corrida básica em torno do meu quarteirão eu conseguiria, não. Esse é um sentimento muito mais abstrato, hipotético ou até virtual do que uma possibilidade concreta de realização. Me sinto, e isso é real, acessível às palavras que da minha mente escorrem para os dedos meio que anestesiados por um frenesi passado.
Seria este o momento do pensar sistematicamente sobre as coisas que permeiam os meus sapatos? Não sei, começo a ficar com sono quando penso que tenho que pensar sobre alguma coisa. Acho que é sempre a obrigação de ter de fazer alguma coisa que nos deixa indisponíveis para tal assunto. As coisas precisam ser feitas com a fluidez e a flexibilidade natural. Por que se cada um é cada um, por que é que cada coisa não tem seu próprio negócio?
Alguns prismas desse diamante bruto tem me iluminado em algumas direções. Sigo primeiro pensando em não pisar nos meus próprios pés, tentando colocar um, depois o outro, depois o outro... correr é coisa de quem tem a ilusão de que vai chegar primeiro e ficar parado só vai me deixar no lugar que estou. No máximo eu afundo um pouco, pois essas águas nunca param e a areia, mesmo não sendo movediça, tem um certo poder. Por isso dou os passos que as minhas pernas podem dar, deixo as pegadas do tamanho dos meus sapatos, não quero mais usar nada menor, cansei de tentar não incomodar. Eu sou do tamanho que sou e daí?
Já me disseram uma vez, e eu me lembrei agora ( coisa que é rara) que inteligente é quem, olhado os erros dos outros, não erra. Certo, podem ser pessoas surpreendentemente inteligentes, mas o que elas terão no fim senão o dos outros? Um caderno cheio de histórias que não é dela, de coisas que ela nem sabe se realmente existem. Inteligentes? Quem sabe... Pobres? For sure!
Bem , termina por aqui esse momento estranhamente não-usual... não sei como, mas meus dedos pensaram hoje. Refletimos sobre alguns assuntos, eu e meus 10 operários.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Guarda-roupa

Eram todas bem pretinhas no começo. Aí, em alguns segundos, como um diafragma fotográfico antigo, seus olhos iam captando as cores das roupas empilhadas na sua frente. Era ali o seu esconderijo desde que tinha não sei quantos anos: dentro do guarda-roupa. Ali pensava em tudo que acontecia no mundo exterior e que o afetavam, lhe provocava desequilíbrios maiores do que o normal. Entrar em seu guarda-roupa significava entrar no mais profundo de dentro de si mesmo, onde todos os ´´eus´´ se reuniam.
Depois que todos se despiam e empilhavam suas roupas ali no canto a reunião começava. Prós, contras, opiniões neutras, votações e mais votações. Dessa vez o pequeno ouvinte queria entender o porque de algumas coisas que andavam acontecendo e ansiava por uma decisão bem balanceada entre suas partes.
- Por que é que corremos, corremos e só depois que paramos é que o calor chega? Tá certo que se corremos durante muito tempo ficaremos com calor, mas eu já estava sem paciência...
Tudo acontecia ao mesmo tempo na vida do garoto que jurava ter o melhor juízo, mesmo por que sempre que precisava podia contar com a ajuda de seus companheiros. Mas as coisas não andavam tão fáceis assim. O conselho andava se deparando com situações nada usuais e se confundia. Conseguiam ponderar sobre, mas estavam longe de chegar à uma decisão.
Na ultima reunião todos entraram em pânico, alguns fugiram sem nem mesmo se vestirem. O garoto esperava que dessa vez tudo ocorresse de forma mais amena. Mas nada aconteceu. As roupas já estavam todas ali, empilhadas, mas não havia sinal de ninguém. O garoto gritou a pergunta por 20 minutos, sem parar, e nada de resposta.
- Por que é que corremos, corremos e só depois que paramos é que o calor chega?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Meme !!!

Eita, milhões de anos longe daqui...ai, me sinto em dívida...mas claro, sempre tem alguém que me puxa de volta...vim por conta de um Meme que uma garotinha fofa me mandou...lá vai...

Ganhei da Sw (Lindeza!)

Escolha uma banda : O Teatro Mágico
Responda somente com os títulos das canções OK


Descreva-se: Eu não sou Chico mas quero tentar

O que as pessoas acham de você: Alguma coisa

Descreva sua última relação: Pena

Descreva sua atual relação: (...)

Onde você queria estar agora: Realejo

O que você pensa sobre o amor: Pratododia

Como é sua vida: Mais e menos

Se você tivesse direito a apenas um desejo: Carinho de mãe

Uma frase sábia: O Tudo é uma coisa só

Uma frase para os próximos: Amém

Passando pra Alegria, Dri e Davi Maine