E a vida começa a girar cada vez mais devagar como se a máquina centrifugadora estivesse perdendo a sua força, ou simplesmente dando uma pausa, relaxando. Na mesma intensidade inversamente proporcional começa a aumentar na cabeça uma série de espasmos que cambaleiam os objetos de um lado à outro do juizo, do que é gosto... balanaçando-os tanto que começam a gotejar. Gotejam toda sorte de arte, toda sorte de astúcia e malícia e, por mais incrível que pareça, um tanto de coração e saudade encrustada em cada gota de coisa, fazendo-as um pouco mais sãns do que parecem ser.
Por fora de toda essa tempestade desertica que se estende dentro deste infinito submerso de sensações, um corpo segura forte para não cair e ir sempre olhando para o alto. Brinca como quando criança de vendar os olhos e sentir as coisas com as mãos, seu sexo. Ah mas como criança, não deixa de espiar pelas frestas da venda e se machuca tentando e se afogando em coisas que aparecem, só aparentam, mas o corpo quer, tem sede dessas coisas, precisa das cores em si.
Outra coisa estranha acontece então. Indo contra todo o sistema de sorte do nosso mundo parasito-humanoide, contra toda a lógica reversa sob a qual as vidas são regidas (como numa ópera sinistra) tudo que é dito e por mais de vezes comprovado Ruim não vem... o corpo pede e chama por todos esses morangos quase marcianos de tão vermelhos, pedem que os queime em seu ácido a ainda assim não acontece!!!
Nada disso se entende, tudo se contradiz e todo mundo desconfia, mas ninguém sabe, todos vêem mas olham tão pasmos que a vida parece estar parando. Mas não está, ela está cada vez mais rápida, girando tão intensamente quanto as Rodas dessa nossa Fortuna. Só saberemos o quão rápido estamos se mais rápido formos.
Este corpo então fica inerte, pega aqui pega acolá e nada sente. Ouve a prenuncia de algo que está por vir e se pergunta e pergunta aos ventos e a quem não quer ouvir o que é.
O que é? Como, pra que, será?
As respostas chegam em quadros, ladrilhos e vitrais. Nenhuma delas faz sentido, nenhuma tinha a intenção de fazer. Não; Agora!
quinta-feira, 7 de setembro de 2006
terça-feira, 29 de agosto de 2006
Guri
Corre guri,
Corre então e começa a pensar no seu futuro
Que já é tão presente quanto o passado...
Corre por entre todos
Corre dentro de si mesmo
Ele sente a brisa e se deixa levar
A areia corre sob seus pés
Massageia e entra entre seus dedos pequenos
Ele flutua sobre tudo que é...
Fica sempre assim guri, fica
Seja feliz e pensa em tudo
Pensa no quanto isso é nada, pode ser nada
Brinca com a vida, esse não é um jogo só pra um!
Leva tudo que encontar no caminho
Cada cor de vento, cada cheiro de tempo
Entra sempre em você e se descobre
Mas não esquece que você se encontrará mais nos outros...
Ihh essa é uma longa história
E pena, só você pode descobrir.
Aprende a falar tudo
Mas fala nada não, só olha, ouve!
Diz muito Bom Dia!...Tenho Saudades...Desculpe-me...Te amo!
Continua guri,
Continua que eu te espero...
Corre então e começa a pensar no seu futuro
Que já é tão presente quanto o passado...
Corre por entre todos
Corre dentro de si mesmo
Ele sente a brisa e se deixa levar
A areia corre sob seus pés
Massageia e entra entre seus dedos pequenos
Ele flutua sobre tudo que é...
Fica sempre assim guri, fica
Seja feliz e pensa em tudo
Pensa no quanto isso é nada, pode ser nada
Brinca com a vida, esse não é um jogo só pra um!
Leva tudo que encontar no caminho
Cada cor de vento, cada cheiro de tempo
Entra sempre em você e se descobre
Mas não esquece que você se encontrará mais nos outros...
Ihh essa é uma longa história
E pena, só você pode descobrir.
Aprende a falar tudo
Mas fala nada não, só olha, ouve!
Diz muito Bom Dia!...Tenho Saudades...Desculpe-me...Te amo!
Continua guri,
Continua que eu te espero...
sábado, 26 de agosto de 2006
Saudade
Eu poderia dizer um bocado de coisas
Mas não posso
não posso por que não as conheço.
O que eu conheço é tão pouco
Mal encheria uma página.
Eu só sei que tenho saudades
E o que é que a saudade não é capaz de fazer?
A saudade, irmã íntima do amor
Tão poderosa quanto, é capaz das piores maldades
Eu a tenho comigo.
Dorme ao meu lado todos os dias, a saudade.
Na rua, segura minha mão e no cinema
Cochicha palavras no meu ouvido, baixinho.
Posso ouvir os seus suspiros, errepiam-me
Aceleram meu coração, congelam minhas mãos.
Ela não quer ir embora; não consigo mandá-la
Já te procurei e você sabe que esta é a única
Sim, a única forma de que disponho para me livrar...
Sabes que você e ela não podem estar no mesmo lugar
É contra a ciência!!!
Assim, com esta presença ao meu lado
Não posso, não consigo, não me deixo
Conhecer as coisas
E então eu poderia dizer um bocado de coisas
Mas não posso
não posso por que não me deixas.
Mas não posso
não posso por que não as conheço.
O que eu conheço é tão pouco
Mal encheria uma página.
Eu só sei que tenho saudades
E o que é que a saudade não é capaz de fazer?
A saudade, irmã íntima do amor
Tão poderosa quanto, é capaz das piores maldades
Eu a tenho comigo.
Dorme ao meu lado todos os dias, a saudade.
Na rua, segura minha mão e no cinema
Cochicha palavras no meu ouvido, baixinho.
Posso ouvir os seus suspiros, errepiam-me
Aceleram meu coração, congelam minhas mãos.
Ela não quer ir embora; não consigo mandá-la
Já te procurei e você sabe que esta é a única
Sim, a única forma de que disponho para me livrar...
Sabes que você e ela não podem estar no mesmo lugar
É contra a ciência!!!
Assim, com esta presença ao meu lado
Não posso, não consigo, não me deixo
Conhecer as coisas
E então eu poderia dizer um bocado de coisas
Mas não posso
não posso por que não me deixas.
Folhas
As folhas caiam
Elas caem sempre
Querem cair e caem.
E então novas folhas surgem
Para que um dia queiram cair
Então elas também caem.
Eu queria ser uma folha
E poder querer cair
Sem precisar ficar triste
Sem que me vejam como único
Queria poder ser substituido
Por alguma folha melhor, mais verde!
Queria poder no outono cair...
Ser naqueles segundos infinitos livre
Ver que valeu a pena viver
Só para ter aqueles sgundos
Enquanto viajo entre meu velho galho
E meu novo chão
Seria então: Livre!
Elas caem sempre
Querem cair e caem.
E então novas folhas surgem
Para que um dia queiram cair
Então elas também caem.
Eu queria ser uma folha
E poder querer cair
Sem precisar ficar triste
Sem que me vejam como único
Queria poder ser substituido
Por alguma folha melhor, mais verde!
Queria poder no outono cair...
Ser naqueles segundos infinitos livre
Ver que valeu a pena viver
Só para ter aqueles sgundos
Enquanto viajo entre meu velho galho
E meu novo chão
Seria então: Livre!
sábado, 12 de agosto de 2006
Pétalas amarelas, palavras negras...
As pétalas amarelas que te dei
Um dia foram, hoje são, amanhã...
Escritas sobre elas, palavras negras
Como os fios que se embaraçam em meu coração
Todos eles soando triste, cada um uma canção.
Me fazendo escrever versos...
Todos negros
Em pétalas amarelas, douradas, ilusão.
Eu só queria era
Continuar dilatando minhas pupilas
No escuro dos teus cabelos
No profundo dos teus olhos
No mistério do teu ser!
Eu queria era me deixar queimar pela febre que me causaste
Mas só pra te ter mais perto
Pra te ter cuidando de mim...
Não quero essa dor se não tenho a ti
Causaste o mal e foste embora
Nem se quer me curou, muito menos me matou...
Me deixou neste estado de meio, metade, de continuação...
De algo que nunca acontecerá...
O que me resta são os versos pobres que escrevo
E quando os escrevo me lembro da miséria de amar
E da furiosa seringa da paixão...
Me lembro de ser um ser humano como todos
E de ser vítima desse mal impertinente
Dessa droga que não sara, só se esconde dentro, dentro de não sei onde
E que nos consome a mente, tira a razão, dúbia...
Obscura, ahhh arte da trevas...
Obrigado por me fazer ver que sou o mesmo pó
Que vim da mesma merda que todos...
Oh que felicidade, oh que novidade,
Sou a porra de um Humano miserável heheheheh!
Um dia foram, hoje são, amanhã...
Escritas sobre elas, palavras negras
Como os fios que se embaraçam em meu coração
Todos eles soando triste, cada um uma canção.
Me fazendo escrever versos...
Todos negros
Em pétalas amarelas, douradas, ilusão.
Eu só queria era
Continuar dilatando minhas pupilas
No escuro dos teus cabelos
No profundo dos teus olhos
No mistério do teu ser!
Eu queria era me deixar queimar pela febre que me causaste
Mas só pra te ter mais perto
Pra te ter cuidando de mim...
Não quero essa dor se não tenho a ti
Causaste o mal e foste embora
Nem se quer me curou, muito menos me matou...
Me deixou neste estado de meio, metade, de continuação...
De algo que nunca acontecerá...
O que me resta são os versos pobres que escrevo
E quando os escrevo me lembro da miséria de amar
E da furiosa seringa da paixão...
Me lembro de ser um ser humano como todos
E de ser vítima desse mal impertinente
Dessa droga que não sara, só se esconde dentro, dentro de não sei onde
E que nos consome a mente, tira a razão, dúbia...
Obscura, ahhh arte da trevas...
Obrigado por me fazer ver que sou o mesmo pó
Que vim da mesma merda que todos...
Oh que felicidade, oh que novidade,
Sou a porra de um Humano miserável heheheheh!
quarta-feira, 28 de junho de 2006
DaNçaMuçaDaN
A vida está sempre mudando...
É uma curva
Daquelas bem fechadas
E que puxa a agente bem pro lado...
Ela não para
Não pode parar...
Então tudo passa
Tudo sempre sai do lugar...
Eis-me aqui nesta curva
Já to tonto, querendo enjoar...
O que acontece se eu me jogar?
É uma curva
Daquelas bem fechadas
E que puxa a agente bem pro lado...
Ela não para
Não pode parar...
Então tudo passa
Tudo sempre sai do lugar...
Eis-me aqui nesta curva
Já to tonto, querendo enjoar...
O que acontece se eu me jogar?
quinta-feira, 8 de junho de 2006
Nada mais surreal (do) que a realidade...Quanta loucura!
Quando as flores murcharem...
Quando o sol escurecer...
Quando as coisas ficarem ruins...
Só pode significar uma coisa:
Que as flores estão velhas;
Que vai chover,
E que, putz, tu ta ferrado!
(Pô, um dia a flor morre...
Se num chove, olha a fome aí!
E se as coisas não pioram
Como é que a gente sabe quando é que ta bom?)
Quando o sol escurecer...
Quando as coisas ficarem ruins...
Só pode significar uma coisa:
Que as flores estão velhas;
Que vai chover,
E que, putz, tu ta ferrado!
(Pô, um dia a flor morre...
Se num chove, olha a fome aí!
E se as coisas não pioram
Como é que a gente sabe quando é que ta bom?)
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Vendas...
As coisas mudaram repentinamente de direção. Tudo que era incerto ganhou um ar de certeza tão sinuoso quanto a beira de um abismo, o qual não sei a profundidade e que, não se sabe, o que no fundo habita.
Sabe-se que o tempo deve ser aproveitado...cada minuto como se fosse o ultimo, sentindo todas as sensações e pensar, só no que não exclue emoções, só nos mais doces palpitares cardíacos...
Sabe-se que o tempo deve ser aproveitado...cada minuto como se fosse o ultimo, sentindo todas as sensações e pensar, só no que não exclue emoções, só nos mais doces palpitares cardíacos...
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Como?
Eu só queria saber como se faz pra matar uma mal não material, tipo... o amor? É, ele mesmo. Como se mata o amor e qualquer uma de suas adjacências dolorosas, tipo...a paixão? É, ela também!
quarta-feira, 19 de abril de 2006
sábado, 8 de abril de 2006
Amor, inveja, culpa...
Amo tudo que não tenho
Tudo que não vejo em mim invejo
Sim, toda beleza que de mim foge
Amo.
Toda a sabedoria que tira - me os pés do chão
Invejo.
Há então nisso prova maior
De que nem sou Deus
Muito menos sou demônio
Existem essas singularidades iguais
Em mim e em ti (que lê)
Essa mesquinhez humana
Que deseja, o quanto mais eu...
Que inveja, o quanto menos o outro...
Há prova de que em tudo existe o nosso amor
Em todas as nossas atitudes
Nossa admiração...nossa devoção...
Nossa...Minha...a de te culpar
Lavando minhas mãos com a mesma lama que te sujo.
Tudo que não vejo em mim invejo
Sim, toda beleza que de mim foge
Amo.
Toda a sabedoria que tira - me os pés do chão
Invejo.
Há então nisso prova maior
De que nem sou Deus
Muito menos sou demônio
Existem essas singularidades iguais
Em mim e em ti (que lê)
Essa mesquinhez humana
Que deseja, o quanto mais eu...
Que inveja, o quanto menos o outro...
Há prova de que em tudo existe o nosso amor
Em todas as nossas atitudes
Nossa admiração...nossa devoção...
Nossa...Minha...a de te culpar
Lavando minhas mãos com a mesma lama que te sujo.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Suma!
Enquanto virava a esquina
Toda minha vida mudava...
Todos os ponteiros voltavam
Mas nem tudo se concerta.
Nem tudo volta...
Você não voltou e se voltasse
Faria -me um pouquinho mais infeliz
Meu amor, por que você não morre?!!
Por que você precisou existir?
Você é...sem palavras.
Abri meus olhos e me vi mais em você
Do que em mim
ME PERDI!!!
Então, por que você não some?
Mas olha, antes de sumir, dá pra me achar de volta?
Obrigado e vá pra PQP!
Toda minha vida mudava...
Todos os ponteiros voltavam
Mas nem tudo se concerta.
Nem tudo volta...
Você não voltou e se voltasse
Faria -me um pouquinho mais infeliz
Meu amor, por que você não morre?!!
Por que você precisou existir?
Você é...sem palavras.
Abri meus olhos e me vi mais em você
Do que em mim
ME PERDI!!!
Então, por que você não some?
Mas olha, antes de sumir, dá pra me achar de volta?
Obrigado e vá pra PQP!
E se...
E se te falar?
E se te pedir?
E se te ignorar?
E se implorar?
E se só te olhar?
E se te tocar enquanto te olho?
E se ao te tocar eu suspiro?
E se ao suspirar dizer coisas?
E se essas coisas são ditas ao pé do ouvido?
E se essas coisas ditas ao pé do ouvido forem "Te quero"?
E se além de "Te quero" eu te disser "Pra sempre"?
E se trocar o "Te quero" por "Te amo"?
E se ao invés de ao pé do ouvido for de pé na mesa?
E se ao contrário da mesa, for na cama?
E se na cama não disser, fizer?
E se não conseguir fazer, vale voltar pra parte do suspiro?
O importante não é o tamanho do arco do violinista e sim sua virtuosidade com ele!
E se te pedir?
E se te ignorar?
E se implorar?
E se só te olhar?
E se te tocar enquanto te olho?
E se ao te tocar eu suspiro?
E se ao suspirar dizer coisas?
E se essas coisas são ditas ao pé do ouvido?
E se essas coisas ditas ao pé do ouvido forem "Te quero"?
E se além de "Te quero" eu te disser "Pra sempre"?
E se trocar o "Te quero" por "Te amo"?
E se ao invés de ao pé do ouvido for de pé na mesa?
E se ao contrário da mesa, for na cama?
E se na cama não disser, fizer?
E se não conseguir fazer, vale voltar pra parte do suspiro?
O importante não é o tamanho do arco do violinista e sim sua virtuosidade com ele!
segunda-feira, 27 de março de 2006
Caminho
Encontrar-nos na vida é uma das coisas mais difíceis nessa jornada da qual participamos, poucos conseguem e se conseguem é por sorte, o resto passa a vida toda buscando, morrem sem nada descobrir.Agora, penso que o verdadeiro sentido da vida, o seu propósito, seria mesmo o de deixar que nós nunca consigamos nos encontrar, por que é na busca que descobrimos sentimentos novos, descobrimos novos valores, pessoas que jamais imaginaríamos em conhecer, e encontrando tudo isso a vida já faz tanto sentido que nem sei se valeria a pena achar o que tanto procuramos.
O que seria da vida se ao nascer alguém dissesse para nós o seu sentido, o que ela significa, o que seriamos ou o que teríamos que fazer para sermos bem sucedidos? Seria uma coisa muito sem graça não precisar fazer coisas erradas pra chegar a certa, não precisar conhecer pessoas de todo tipo, só as certas, namorar diversas pessoas pra achar a certa, tentar aprender a tocar piano sem saber que deveria estar tocando oboé, seria horrível não precisar chorar, seria horrível nunca sentir a sensação de "dessa vez, depois de tanto tempo, deu certo!".
Então fazemos muitas coisas de olhos vendados, sem saber o que virá logo mais, e no meio desse caminho encontramos pessoas que estão indo pra o mesmo lado, sem saber se é o certo. Pessoas que as vezes querem o mesmo que nós, pessoas que pelo caminho tornam nossas vidas menos tensas. São elas que fazem com que as vezes esqueçamos para onde estamos indo, a jornada e o objetivo passam a ser secundários, podemos ir a qualquer lugar, se for na companhia delas...
Acho que seria lógico pensar que o verdadeiro objetivo das nossas vidas é encontra essas pessoas, que a maneira mais fácil de nos acharmos é olhando para dentro das outras pessoas, dessas pessoas. Será que isso explica ficarmos tão felizes quando encontramos alguém que gosta das mesmas coisas que nós? Será que não é nesse momento que estamos nos encontrando?
Somos todos espelhos e se gostamos do que estamos vendo numa pessoa é por que aquilo está em nós, ou pelo menos é o que em nós devemos buscar.
sábado, 18 de março de 2006
Uma testa e um dedo
- Não tem sentido nenhum.- Então vai, faz isso mesmo que você disse. Eu só acho que você não tem coragem...
- Isso não é uma questão de coragem, é uma questão de princípios!
- Mas que princípios o quê! Ninguém precisa ter princípios pra colocar uma bala no meio da testa, só precisa ter uma testa e um dedo.
- Uma testa e um dedo são muito, mas muito pouco mesmo perto de um monte de gente dizendo pra você a vida inteirinha o que você pode ou o que você não pode fazer com a vida que, por um acaso, não é sua.
- Mas se a vida não é sua, é de quem então?
- Ah de qualquer um... dos meus pais, da minha cidade, da minha sociedade, sei lá...
- A minha vida é minha, não tem isso comigo não... se for assim eu to muito endividado, nunca paguei o aluguel!
-Você é que pensa. Você está pagando há muito tempo e faz isso sem nem perceber.
- Mas como, não, isso não, tá tudo errado isso aí que você ta falando, nada a ver.
- Seus pais te ensinaram a pagar desde quando você nasceu, acredite, já é inconsciente!
- Mas como se eu não sinto falta de nada?
- Isto é claro, você não pode sentir falta do que nunca teve não é? São muito pouco os que sentem falta...
- Eu não te entendo, não mesmo...
- Meu amigo, se é por isso mesmo que quero decidir por continuar ou não aqui, pra deixar de pagar esse tributo, como não entendes?
- O que você quer é se sentir livre da responsabilidade de lutar igual todo mundo pela vida. Pra falar a verdade, acho uma vergonha isso que você quer fazer, desistir assim...
- Agora é você quem esta exercendo o papel de cobrador? Não se vê pagando não é? Será que consegue perceber o que esta tentando tirar de mim?
- Você começa a me parecer louco, acho que nem você entende o que diz.
- É isso mesmo, você está tentando tirar de mim o que nunca teve, o que nunca tive também. A diferença entre nós dois é que consigo perceber a falta que me faz. Você? Acho que nunca nem deu falta mesmo.
- Mas do que é que você está falando homem?
-Rsrsrs, da liberdade meu amigo, da liberdade!
- Realmente, está louco. Como da liberdade? Estamos totalmente livres!
- Parabéns! Como você conseguiu chegar a essa conclusão? Ah, não fala não, me deixa adivinhar: Você nem está numa cela e nem tem algemas nas mãos? Ah faça-me o favor, você é muito mais esperto do que isso.
- Sou, sou mais esperto mesmo. E sou esperto o suficiente pra saber que não vai me adiantar tirar a minha vida por causa disso.
-Ah é, então o que é que você está fazendo com essa sua esperteza? Deixando ela guardada numa gaveta, por que eu não estou vendo você fazer nada pra mudar a situação.
-Ah ta, e você está fazendo o que, pode me dizer? Você acha que tirar a sua vida vai mudar alguma coisa?
- Pode não mudar nada, mas vai significar pra mim... vai mostrar que pelo menos uma vez eu pude escolher o que fazer, vai mostrar que uma vez fui livre e talvez continue... talvez só os suicidas conheçam a liberdade, talvez apenas eles tenham conhecido o que é realmente voar no espaço, sem nada que os impedisse, livres...
- Você não pode fazer isso, é loucura!
- Aí esta você de novo, senhor cobrador! O que que você acha, que tirando a minha liberdade você vai se sentir melhor?Acha que me igualando a você tudo fica certo? A liberdade que é tirada não serve para mais ninguém, não adianta, você não vai se sentir melhor. Ela some quando arrancada de quem a pertence, consumida... e todos continuam com fome, nunca se saciam, nunca se saciaram.
- Você não sabe mais do que está falando...
- Posso não saber, posso nem estar fazendo a coisa certa, mas estou decidindo, essa é a pura questão... Estou sentido minhas assas querendo voar, EU estou tomando a decisão, estou me sentindo livre...
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